sexta-feira, maio 13, 2011

Resgatando Memórias

Esquecidos no caderno de notas, decidi publicar alguns rascunhos, desfasados no tempo (talvez da realidade), que achei merecedores de uma leitura, depois de devidamente retocados, rearranjados e revisados. Fi-lo por interesse, para que não perca memórias de viagens passadas, enquanto os tenho coligidos em cadernos perecíveis pelo tempo e, quem sabe, pelas térmitas. Fi-lo ainda porque o retrato é demasiado estático e cru, não reproduzindo as sensações e os pictogramas que uma crónica faz reflectir. Como li num blogue da concorrência, o “mundo lê-se a viajar”. Achei que essas leituras, mesmo que pouco condizentes com a realidade por manifesta inaptidão do errante, ainda assim não deixam de expressar a minha visão (ou miopia) em momentos circunstanciais, mas que, reconheço, não testemunham, nem de perto, a total essência dos lugares. Nuns casos, estas crónicas podem reflectir emoções diversas, algumas que podem indiciar um exacerbamento desmedido, tendente a gerar interpretações óbvias que, aconselho, não sejam levadas à letra. Quem escreve por vezes tende a estes desvarios. O certo e sabido é que para destrinçar a identidade de um povo, de uma cidade, de um país, é requerido mais tempo, largos meses, quiçá anos de interacção e vivência nesse meio. Todavia, nas minhas breves evasões, não deixo de interpretar outros quotidianos, outras regularidades, os esboços que os cenários e comportamentos transmitem, para um diagnóstico que me enriqueça, e por comparação, me permita uma visão ampla da complexidade do ser humano, da paisagem humanizada, e da outra, escassa, cada vez mais delapidada pela cobiça mundana.

1 Comments:

At 2:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Duarte

A medida que vou aferindo o estro especioso dos teus poemas e prosas… vou mergulhando num mundo etéreo, onde o sol fulvo do êxtase vai-me envolvendo: em cada pensamento, cada frase, cada palavra!... Fazes transportar o leitor a um mundo de magia! Os teus artigos são uma simbiose de assuntos pedagógicos, recreativos… em suma, uma janela aberta ao mundo de cultura migrante e polissémica!...
A quem te compararei!? Homero, Platão, Shakespeare, Camões, Rouseau, Almeida Garrett, Schiller, Xenofonte, Goeth, Gil Vicente…?!
Continua a extasiar-nos com o que escreves.
Bj
Filomena Gomes Camacho
Londres

 

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