sábado, março 04, 2006

Crepúsculo do Mar



Invadido por este brilho azulino
Rendo-me na beira da falésia,
E, na languidez da tarde
Recosto a cabeça nas costas das ondas.

Irrompe este azul por mim adentro,
Infinito como o horizonte
Inunda-me o espanto
Por este mar sumptuoso, belo
Debruado por sombras
Que o crepúsculo recorta no manto marinho
Das nuvens suspensas,
Alcandoradas no caminho.

Centelhas pululam nas correntes
Reluzindo neste mar ilhéu
Quais estrelas nascendo
Que se elevam para o céu.

Perto de mim, surgem esparsas
Lá fora, adensam-se indefinidas
Na linha do horizonte
Um filamento reverbera desta luz
Minguando a claridade das águas
Enquanto a tépida tarde
Vai esfriando os meus braços
E a minha ânsia
Vira brandura e calma,
Nesta hipnose reconfortante
Panaceia da minha alma.

Foto e poema: Duarte Olim